Sua vida como acesso

Post publicado em 17/12/2014 no Linkedin.

Você deve ter caído aqui motivado pela foto do sr Frank Underwood, o senador americano mais articulado da história (na Netflix pelo menos). Mas esse não é um post sobre a atuação do Kevin Spacey ou propriamente da fantástica trama “House of Cards”, que mereceria um post exclusivo, mas não agora. Vamos falar da tecnologia como um serviço ou simplesmente a sua vida como um serviço.

Você pode estar diante de uma das maiores mudanças que o mundo contemporâneo vai sofrer. Essa é uma das certezas que tenho afirmado, desde que fundei a VINDI. E isso tem a ver com consumo. Não estamos falando de drones ou big data, que são por si só, assuntos fáceis nos corredores das empresas de tecnologia globais.

O assunto aqui é a mudança de propriedade para acesso, da forma como vamos consumir produtos e serviços. O “Efeito Netflix” que foi citado pelo Zuora, já é uma cascata que não vai parar de canalizar água na forma de consumo da população mundial. Eu mesmo já nem quero mais adquirir produtos os quais sei que vou usar por pouco tempo. Olhe para a Amazon e para a Salesforce, que são empresas com menos de 20 anos e já mudam a forma das empresas e pessoas consumirem. Seja conteúdo, software ou produto, não tem mais volta. A velocidade dessa mudança de consumo vai literalmente arrasar com mercados e empresas que não tiverem um pé no futuro.

Olhe para essa foto da Blockbuster por 10 segundos.

Além da nuvem negra, notou que não existe mais Blockbuster? Na verdade a foto é de Julho de 2013 e essa é a última loja da rede. A empresa foi fundada em 1985, quando o próprio video cassete ainda não tinha atingido as casas da maioria das famílias do mundo. Foram pioneiros. A importância desse modelo, mudou gerações e mercados, nos quais locadoras acabavam sendo ponto de encontro de pessoas. Mas por que eles não foram inovadores a ponto de mudar a estratégia de Propriedade para Acesso?

As pessoas tendem a consumir cada vez menos produtos ou serviços que tiverem a “Propriedade” como forma de aquisição. Nós vamos entrar na “Era do Acesso”. Você já deve ter visto diversos movimentos e ainda não percebeu. A Blockbuster também não. Quer uma prova real de que o negócio vai ferver nos próximos cinco anos? Leia o próximo parágrafo.

Uber é maior que Petrobrás?

No mês de Dezembro o Uber anunciou novas rodadas para crescer no mundo mais rapidamente. A empresa finaliza o ano de 2014 com um “valuation” de U$41 bilhões. Incrível para uma empresa fundada em 2009. Estamos falando de um app, que é a ponta do iceberg de possibilidades e mudanças que as pessoas vão presenciar. Tirando a polêmica que esse aplicativo gera nos países por onde chega, algo está para acontecer visceralmente no ramo de transportes, certo? Basta olhar para o próprio EasyTaxi, que sofreu todos os problemas possíveis para se consolidar como algo que ajuda a vida das pessoas. Agora imagina o Uber, que é ainda mais disruptivo, já que não necessita de barreiras trabalhistas, regras ou sequer legislação para ajudar as pessoas de fato. É uma nova economia nascendo, acreditem. Quando uma empresa é capaz de mudar ou simplesmente criar uma nova economia, basta esperar pela porrada. Apenas como comparação, hoje (16 de Dezembro de 2014) o Uber vale mais que a Petrobrás, que com as quedas seguidas de escândalos seu valor de mercado desceu a U$40bi.

O Uber é daquelas empresas que você nem imaginava que precisaria um dia.

Esse último parágrafo que você leu já basta para prever que a maioria dos nossos filhos e as próximas gerações, nem carros terão. Ou melhor: nem vão precisar. É o acesso esmagando a propriedade.

Propriedade => Acesso

Já começou com você também. Sem perceber seu consumo normal já sofre essa mudança de perfil. Esse é inclusive, um dos motes para o lançamento do livro do comediante Murilo Gun (Life as a Service – LaaS), que conta de uma forma clara a mudança de modelo de consumo de propriedade para acesso. De dono para usuário. Vamos voltar a alguns anos atrás, para entender essa mudança e para ver o quão maluco seu pai era:

Ano 1980 – Ele comprava um título de um clube para ser sócio (propriedade), ele tinha que comprar um direito de uma empresa telefônica (caro pra caramba) para ter telefone em casa. Além disso, casa própria era algo quase impossível no Brasil, e carro era para os mais abastados. O sonho do seu pai era ter um emprego duradouro e se aposentar pela firma.

Ano 2014 – Seu filho vive em função de um smartphone com o WhastApp, ele acha um absurdo você ter pago quase o valor de um carro para ter um telefone. Ele não vai ser sócio de um clube, tampouco quer se aposentar. Aliás ele não sabe o que é INSS. O sonho dele é liberdade de escolha e também de não fazer aquilo que a sociedade dita “normal” impõe. Esse é o elo com o Uber, por exemplo. Se você acha que ainda está longe de aceitar que sua vida vai virar um grande acesso a tudo, basta analisar todos os serviços que você paga mensalmente para viver, ou melhor, para ser inserido na nova sociedade.

Vou te ajudar:

Netflix, Telefone Celular, Academia, Tv a Cabo, Assinatura de Revista (ou Jornal), Sem Parar (serviço de acesso para pedágios), Estacionamento, Faculdade (Escola), Banco, Plano de Saúde, Seguros, Condomínio, etc. Isso tudo é o acesso servindo você.

Você é, na verdade, o fruto do acesso.

Post publicado em 17/12/2014 no Linkedin – clique