A combinação SaaS + Fintech resultará em alguns unicórnios brasileiros

A teoria é simples: nosso próximo unicórnio (ou talvez o maior deles) estará presente na junção de SaaS + Fintech. Software como serviço (SaasS) + Tecnologia Financeira.

Conversei com muita gente esse ano. E algumas delas, validaram uma teoria minha sobre a nova startup brasileira que valerá U$1 bilhão de dólares. Engana-se portanto, quem acha que já não temos alguns unicórnios por aqui. Pós frisson de Buscapé, Easy Taxi, Hotel Urbano, Netshoes e Dafiti, podemos afirmar que: temos alguns dos maiores motivadores para que minha teoria esteja certa, onde Software + Banco sejam os negócios mais poderosos no momento e serão para os próximos anos, mais poderosos ainda.

A teoria do Software Financeiro (ou do Banco as a Service).

Há cerca de um ano, a Cielo e a Linx ensaiaram aquilo que parecia ser uma joint venture assustadoramente poderosa. Por quê? Eles teriam parte do varejo na mão. Não se sabe o porquê da desistência. No texto “Linx e Cielo declinam em sociedade”, o argumento não foi bem exposto.

Ensaios como esse serão ainda mais latentes daqui para frente, pois o varejo e o banco estão cada vez mais “interseccionais”. Segundo algumas das pesquisas de Forrester e Gartner, toda empresa de tecnologia terá no final, uma receita com assinatura. Não é diferente para pagamento. TODO VAREJISTA verá uma receita final em pagamentos!

Varejistas gigantes já estão de olho nisso: criar uma linha de receita que por enquanto fica na mão de adquirentes e bancos. A Linx ou a Totvs (gigantes do software) por exemplo, com mais de milhares de clientes no país, poderiam facilmente ter uma distribuição de serviços financeiros de fazer inveja aos principais bancos brasileiros. Por quê? Eles tem o lojista na mão. Emissão de NF, faturamento e gestão, passam pela mão do software no varejo. Nada funciona, sem que um software faça gestão de estoque, cobrança e emissão fiscal. Já o pagamento (muito ilustrada aqui no Brasil em maquinetas POS – point of sale) vira uma commoditie. O adquirente com a proposta de preço e banking mais apurada, leva o cliente. Pelo menos até aqui.

clover
Clover da First Data nos USA. Reprodução: First Data

Estou tentando provar que o mercado bilionário de padarias, farmácias, bares, restaurantes e todo negócio que precise emitir um cupom fiscal, seja o novo caminho para um unicórnio brasileiro nascer. É o que pensa a Cielo, com o MVP da LIO. Apesar de ali ainda não ter a essência do que tange a minha teoria, vale olhar a tendência. Aliás não é à toa que bancos comprem adquirentes no mundo todo. BB e Bradesco sendo sócias da Cielo, Itau sendo sócia da Rede e Santander desembolsando alguns bilhões pela Getnet, não são simplesmente a realização de um bom investimento, é estratégico. Porém, boa parte desses players ainda têm foco nas operações financeiras de antecipação de recebíveis e na manutenção de tarifas. Pelo menos até aqui (2016), tem funcionado. Para os próximos anos, não sei se sustenta, já que o mercado vai abrir bastante para novos jogadores.

No mercado americano, o Clover está literalmente “nadando de braçada”. Resolvendo a questão fiscal com um device moderno que faz gestão ponta a ponta dos comércios. Não por acaso, a First Data adquiriu esse “frente caixa 3.0” em 2012. Entendeu o sinal?

Uma rede distribuída, permitirá o surgimento de super fintechs!

Estive em duas apresentações em três grandes bancos nos últimos 6 meses. Levei uma palestra sobre “O futuro do pagamento e o novo banco” nesses encontros. Em alguns deles, grandes executivos demonstraram um certo ceticismo ao analisar o surgimento de fintechs brasileiras de peso.

O caso mais emblemático é o da Nubank. É nítido o incômodo de banqueiros e executivos, quando o assunto é o sucesso desse app/cartão. Alguns sabem do potencial, porém alguns analistas me questionaram sobre a sustentabilidade de um negócio que precisa de funding potente para garantir a operação. Até o momento a Nubank já levantou mais de R$326 milhões! E segundo algumas expectativas é que já emitiram por volta de 500 mil cartões. A análise concluída pelo Eduardo Carone, via LinkedIn, mostra porém, que o desafio ainda é grande para o “roxinho”.

descentralizada
O jogo virou. Reprodução: Upriser

Mas nem por isso, podemos descartar um simples estudo: eles conseguiram num modelo “as a service”, emitir milhares e milhares de cartões, sem um único atendimento físico. Só esses sinais já valem a justificativa da teoria. 500 mil cartões a custo de aquisição baixo, perto do que gastam os bancos.

Agora com rede distribuída, não vai ter volta. O poder está indo para as mãos do sistema. E ainda não estou falando do que blockchain pode trazer para esse ambiente.

Vamos ver o surgimento de super fintechs e acredito mesmo que o Nubank seja a ponta do Iceberg por aqui. Veja só: temos 55 milhões de pessoas sem conta em banco. Só isso, é um sinal grande que nem os próprios bancos estão conseguindo resolver esse desafio.

Quem vai conseguir?

Os unicórnios atuais x próximas apostas

Até dois anos atrás, as apostas estavam muito focadas no e-commerce e aplicativos de táxis, entre outros poucos nomes/segmentos eram unicórnios presentes nas listas do país. É óbvio, já que o volume de vendas/faturamento e potencial futuro desses cases são grandes balizadores.

DafitiNubankNetshoesMovileStone (que adquiriu a Elavon do Brasil recentemente) e quais mais podem integrar essa lista, que muda ano a ano? Mesmo que as grandes apostas não estejam nas mãos de fintechs somente, alguns importantes sinais estão sendo formados para minha teseResultados Digitais, PSafe, Guiabolso e outros poucos nomes (em Educação, por exemplo) são possivelmente os próximos a figurar essa lista porque conseguiram algo difícil para bancos e empresas tradicionais: escala a um baixo custo de aquisição de clientes. É aí que entra a combinação que citei lá em cima:

SaaS – sabem crescer pra caramba e conseguem adquirir clientes a um baixo custo;

Fintechs – nascem com o propósito de fazer dinheiro como ninguém.

Nós vimos o surgimento de duas super empresas e não notamos que eram na verdade super fintechs que sabiam escalar como ninguém. A primeira é o Sem Parar, que foi vendida por R$4 bilhões e a segunda é a Getnet (vendida por um R$1,1 bi).

O ponto final (para te convencer) é que todo software de alta escala, pode ter o final financeiro: processando pagamentos, fazendo empréstimos, antecipando recebíveis e até: vendendo dados. Você ainda vai ver, as pessoas tomando empréstimo no caixa de qualquer supermercado (pequeno ou grande) em grande escala.

Me cobrem no futuro.

ps: recomendo essa leitura sobre Unicórnios: http://sonhogrande.com/unicornios/