A arte de encantar um cliente

O Restaurante America (que tem mais de 30 anos) é um dos meu preferidos não simplesmente pela comida, mas pelo atendimento. Para quem tem um time como o meu: filhos, esposa e cachorro, sabe que escolher um lugar para comer e não ter discórdia em nenhum ponto, é praticamente nulo.

Mas não sabia o porquê de toda vez que queríamos comer algo rápido e fácil, o America me vinha na cabeça por conta da praticidade e também porque sabia que minha escolha nunca seria contestada. Todo mundo balançava a cabeça afirmativamente. Detalhe importante: minha esposa é vegetariana.

Descobri num final de semana, onde estava sozinho com a minha filha de 8 anos que: o Restaurante America, especialmente o do Shopping Morumbi, tem algo de especial. E não tinha notado (até então) o porquê de um lugar tipicamente inspirado nos americanos, sempre ter uma unanimidade de escolha para mim. Eu não tenho frescura, quem conhece sabe: como em boteco, como de tudo e sempre prefiro pagar barato para comer. Esses são resquícios de quem já vendeu bilhete de ônibus para pagar a faculdade (está impregnado em mim). Enfim.

Bastou duas horas para entender como o negócio “America” funciona bem, quando o assunto é atendimento. Comecei a analisar enquanto a Bibi pintava um desenho com o giz que eles entregaram (sabe aqueles que vêm junto com a toalha de papel seda?), o movimento dos garçons, da hostess e da organização em que tudo funciona. Caiu uma faca? Apereceu um garçon do nada, com outra limpinha para substituir. Se a esposa é vegetariana, o cardápio vai resolver e ainda se não tiver nada que agrade, o garçon vai pedir para fazer algo que não está no script, mas que qualquer chef com boa vontade pode produzir. E ainda assim, se for intolerante à lactose (problema comum), eles vão te sugerir algo dentro do cardápio com a firmeza de estarem indicando algo que você vai gostar. Ou seja: eles dão um jeito.

Os exemplos acima são reais e eu ouvi com meus ouvidos e olhos, na prática, nas diversas vezes em que estive no America. A Vindi começou como concepção em mesas do America da Al. Santos. E isso confundia minha cabeça, pois eu achava: “eu gosto do America assim, por conta das primeiras reuniões ao fundar a Vindi”. Achava que era algo emocional, já que tudo correu bem.

E nesse dia em que estava com a minha filha, pedi para conhecermos a cozinha (nunca tinha feito isso na minha vida). O gerente, no qual vou cometer um possível erro de nome “Fahlil, ou Farlil” (desculpa cara), nem titubeou, pegou os aventais, vestiu a gente, sem combinar nada com ninguém e já foi colocando a gente dentro da cozinha.

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Bibi: Masterchef por um dia.

Não serei a pessoa que vai contar quão legal foi a experiência de levar a Bibi “nesse passeio” e mostrar para ela o trabalho que é, fazer aquela simples batata frita e aquele lanchinho que ela vê pronto na mesa. Descobri 2 minutos depois de deixar o restaurante o porquê eu gostava tanto.

O vídeo que publiquei no Instagram, capta a real vibe. Veja aqui.

America e Fahlil, muito obrigado.